POESIAS

Entre luz e sombra, arte e alma!

Sobre mim. Sobre você. Sobre todos nós.

Escrevendo incessantemente até se tornar um livro.

Todos temos segredos

Segredos sórdidos

ou sombrios.

Á vezes, meros vazios,

que confundem a cabeça,

entorpecem a alma,

alimenta o ego,

ou apenas,

forja toda uma história.

Muitas vezes até sem escapatória,

mas sempre uma bela história!

Entrega-te!

Ao calor

Ao amor

Ao ardor da presença

A inquietude da ausência

Idas e vindas

Despedidas

Entrega-te!

Isto é vivência!

Me perdoe se você não sabe ler alma

Me disseram que eu fico muito calada,

Que não compartilho nada.

Mas eu compartilho o mais íntimo dos silêncios

O que toca no fundo, no âmago 

O que acende a chama

O que é lido, sentido.

Me perdoe se você não sabe ler alma.



Eu sempre tentei controlar a vida

Ultimamente eu tenho pensado bastante

sobre o tempo,

o vento,

o céu,

o que vivemos.

Tu vem e vai na minha memória.

Tu vem e fica na minha história.

Essa história mais vivida 

do que dita.

De amores platônicos.

De cada despedida.

Eu sempre tentei controlar a vida,

até que entendi a beleza 

do que não se controla,

do que se explora

em cada mordida,

em cada suspiro

em cada partida.

A vida é uma eterna despedida!



Eu

Uma taça

Vinho rosé

Você na estrada

Meu corpo etílico

Mente alvoroçada 

Beijo-lhe pensando em você

Na areia da praia.



Pimenta

Ela ama pimenta,

e não suporta comida sem sal.

Ela ama temperos,

seja nas receitas mais simples

ou nos romances mais tórridos.

Seu paladar intenso

já a levou a inúmeras experiências:

inexplicáveis, incontidas, impronunciáveis.

Ela é o próprio tempero,

a própria pimenta.

Muitos preferem comidas sem sal.

Nem todos suportam pimenta.



Amantes

Eu sou uma amante!

Amante das formas, cores e cheiros do céu.

Amante das manhãs calmas, silenciosas;

Sou amante dos nasceres e pores do Sol.

Amante dessa calmaria

que essa vida sozinha me propicia,

me instiga,

me inebria.



O eco

do seu silêncio

me vira de ponta cabeça,

me entorpece,

me atordoa,

me desinteressa.



Inspiração de inverno

Eu já escrevi inúmeros versos impublicáveis,

apenas pensando em você,

mas seu jeito tolo me faz não te dizer.

Acredite,

você tem sido minha maior inspiração 

desde que o inverno se instalou,

e um sorriso tímido, sem jeito,

dentro do meu peito, instigou.



Saudade

Eu sinto saudade

mas não sinto tua falta.

A falta vem daquilo que te falta

e em mim, não falta nada,

além de mim.

Eu sou o que sou

e quem chega,

chega pra acrescentar,

multiplicar.

Porque eu sou

muito mais do que completa!


Nunca gostei de despedidas.

Que ironia da vida!

Hoje sou eu quem decide

me despedir

 a cada despida.


Seu perfume

Sinto o cheiro daquele perfume,

que durante a madrugada seu corpo exala.

Ouço a vibração da sua respiração

e o calor da sua boca 

na minha nuca exposta e gelada.

Sinto você a cada madrugada

mesmo ainda estando pela estrada. 

Sinto tudo e ao mesmo tempo,

eu sinto absolutamente nada



Sem porto

Eu gosto do seu riso bobo,

meio sem jeito,

meio tímido,

meio com medo.

Gosto do seu cabelo rebelde quando acorda

e gosto do gosto que seu beijo tem

quando, pela manhã, me toca.

Gosto dos seus olhos quando sorriem

e da sua voz,

meio trêmula,

quando me chama. 

Gosto do seu jeito livre, 

louco,

sem porto.

Gosto porque me traz a tona…



Não!

Não se engane!

Meus versos não são sobre você!

Meus versos são sobre todos vocês!



Será mesmo?

O cheiro da sua pele suada, fria

que arrepia a minha nuca 

saliva minha boca

aguça meu imaginário

e me faz te desejar

de novo

e de novo

e de novo.

Que me faz pensar

"Será mesmo que quero te ver de novo?"


Me perco diariamente

Me perdi de mim!

Por vezes, eu me perdi!

Nesse abismo do plano traçado,

estava um caminho inaceitável.


Um abismo de mim.

Abismo do que não fui.

Um buraco 

do que faltava de mim.


Me reencontrei!

Mas me perco diariamente 

no intuito de me reencontrar

incansável e infinitamente!


Me perco,

Sem medo

Me reencontro.

Sempre que precisar!



Café 

para acordar,

estudar,

trabalhar

e

esquecer 

o sabor

melado dos

seus lábios!



Alarme

Hoje o alarme não tocou.

A cama ainda está desfeita.

Você a meu lado,

entrelaçando seus dedos nos meus,

correndo meus olhos com os seus.

Manhã de deleite em seu peito.

Manhã com gosto de café prensado 

na minha poesia mais íntima.

Manhã que logo se finda.



Olhares

Eu gosto de olhares!

Dos sensíveis, intrigantes, amantes!

Gosto de olhares doces, meigos, gentis,

Mas também daqueles que...

te estremece a caixa torácica,

bambeia a cervical, 

incendeia a mente.



Em meio ao caos, 

somos paz,

com um toque 

adocicado.

(Ou seria apimentado?)



Mulheres

Mulheres que voam

Mulheres que gritam

Mulheres que gemem

Mulheres que sofrem

Mulheres que amam

Mulheres que são violadas

Mulheres que gritam respeito e liberdade

Mulheres que não se calam

Mulheres!



Tudo e nada

Penso em tantos,

e ao mesmo tempo, 

penso em absolutamente ninguém!

Quando toca aquela música melancólica,

triste ou amorosa,

não sou mais a mesma que,

por tempos sentiu um único nome,

um único toque,

um único respiro no meu pescoço enorme.

Hoje, eu sinto absolutamente nada,

e ao mesmo tempo,

sinto tudo sem ninguém!



Contanto que você se ame,

não importa quem te ama (ou não).



Moletom

Sinto o seu cheiro.

Lembro que o meu ficou no seu moletom.

E aquela sua pele marrom...

Todo o nosso anseio...

Você se lembra do espelho?

O arrepio gélido na espinha

O toque suave na minha pele fria.

Seu calor me inebria.

Sabia?



Término

Eu vejo seu nome em todos os cantos.

No letreiro de um ônibus

Na marca da tinta que eu uso.

No cacto que me machuca.

Eu vejo a dor da beleza exposta em minhas telas.

Dor nua e crua.



Sexta

Vestimos preto,

um pouco de ódio,

muita paixão

e uma pitada 

de razão.



Vem cá?

Eu seria capaz de atravessar a cidade

de bicicleta,

ou subir a serra,

correr até o rio, 

aquele que passa perto da sua casa,

somente pra te ver me olhar,

com esse olhar,

olhar de surpresa,

olhar de saudade,

olhar de vem cá!



Beijo

Hoje eu quero o seu beijo!

Não um simples beijo. 

Quero AQUELE beijo!

Sabe aquele, com sabor do primeiro beijo?

Aquele sem pressa, com encaixe perfeito?

Pois é...

Aquele quando aprendi o gosto real de um beijo!

Aquele com sabor de encontro.

Sabor de inesperado.

Sabor do SEU BEIJO!



Café amargo e coado,

pra afastar o desatino da lembrança

marcada em pedra corroída.

Vulgo, meu coração em libra.



Mais em construção...